PARTE 1
PSICOLOGIA COMO CINCIA DO COMPORTAMENTO
Cap. 1  PSICOLOGIA HOJE

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Depois de estudar este captulo, voc dever ser capaz de:
 indicar os mais importantes marcos do desenvolvimento histrico da Psicologia;
. nomear as principais posies tericas atuais em Psicologia e caracteriz-las em linhas 
gerais;
 conceituar Psicologia referindo-se ao significado atual de seu objeto de estudo e 
justificar sua caracterizao como cincia;
- mostrar a amplitude e aplicao da Psicologia atual, apontando seus principais subcampos 
e reas de aplicao;
 nomear e distinguir os principais profissionais em Psicologia;
 expor a relao da Psicologia com outras cincias, oferecendo alguns exemplos.
 
ALGUMAS PALAVRAS DE ADVERTNCIA
Psicologia  uma palavra que tem, para o leigo, um sentido bem pouco definido. Ela pode 
sugerir muitas coisas para uma mesma pessoa e tambm coisas diferentes para pessoas 
diferentes.
Um levantamento breve das expectativas comuns de quem vai ini ciar seus estudos em 
Psicologia ilustra,bem esta diversidade de concep es. Alguns acreditam que vo estudar 
as causas e caractersticas do desequilbrio mental; outros esperam aprender como lidar 
com crian as em suas sucessivas etapas desenvolvimentais; h os que pretendem alcanar 
a compreenso das regras do bom relacionamento interpessoal; alguns expressam o desejo 
de poderem vir a psicanalisar pessoas; outros, ainda, almejam treinar-se em mensurao da 
inteligncia; e
encontram-se, tambm, os que, querem, de forma mais vaga, vir a compreender o ser 
humano.
Esta lista de expectativas, a par do aspecto altamente positivo que  a predisposio 
favorvel em relao  disciplina, indica a amplitude de conceituaes e permite supor uma 
crena pretensiosa que merece algumas palavras de advertncia.
Trata-se da crena generalizada de que todos ns somos psiclo gos prticos, o que se 
costuma comprovar pela nossa quase in falvel capacidade de julgar as pessoas.
Acreditamo-nos, em suma, conhecedores da natureza humana. Apesar de ser verdade 
que, por pertencermos, ns mesmos,  esp cie humana, devamos conhecer alguma coisa a 
seu respeito e, tambm, que alguns indivduos so, realmente, mais hbeis do que outros ao 
ava liar ou ao relacionar-se com os demais, estes conhecimentos no so cientficos.
E preciso deixar claro que a Psicologia vem se desenvolvendo na base de esforos srios, 
de mtodos que exigem observao e experi men tao cuidadosamente controladas.
No se trata, pois, de uma coleo de palpites sobre o ser hu mano, sua conduta e seus 
processos mentais.
A Psicologia  uma cincia.
O estudante precisa adotar, desde logo, uma postura cientfica, isto , examinar o que j foi 
estabelecido pela cincia o que ainda no re cebeu explicao satisfatria, rejeitar toda 
concepo que no tiver sido submetida a estudos e comprovao rigorosos;em suma, 
precisa adotar um esprito crtico que desconfie, sempre, de conhecimentos natu rais 
sobre as pessoas.
Alm desta crena generalizada de que todos somos psiclogos, encontra-se comumente 
outra a de que  impossvel estabelecer-se algum conhecimento vlido para todos os seres 
humanos. Os argumen tos para esta colocao costumam ser dois: ou que o ser humano  
dotado de livre arbtrio e, portanto, cada um se comporta como quer; ou que a natureza 
humana , por si mesma, misteriosa, insondvel, complexa demais.
Sejam quais forem os argumentos, acreditar na impossibilidade de generalizao sobre o 
homem tem como decorrncia imediata e lgica desacreditar na possibilidade de uma 
cincia sobre o homem.
O que se verifica, entretanto,  que a Psicologia vem se desenvolven do, estabelecendo 
generalizaes vlidas,apesar da real complexidade e diversidade da conduta humana e 
apesar, tambm, da controvrsia so bre a vontade prpria do homem.
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Outro problema se acrescenta: muitos pseudopsiclogos escrevem livros, do conferncias, 
atuam em clnicas, montam testes em re vistas populares e, assim, contribuem bastante 
para fornecer uma falsa imagem da Psicologia e podem at vir a ser altamente prejudiciais, 
tanto por iludirem os incautos como por desmoralizarem a cincia.
Novamente, aqui, impe-se o esprito crtico. O estudante deve perguntar-se qual a 
formao de tais pessoas, de onde provm seus co nhecimentos, quais os fundamentos 
dos testes e dos procedimen tos clnicos. Existem pessoas comprovadamente idneas 
no exerc cio de profisses que usam basicamente a Psicologia, que podem ser 
consultadas,se no houver outros meios de certificar-se da validade de tais livros, testes, 
palestras, etc.
Uma ltima advertncia se refere ao vocabulrio psicolgico. Pala vras como 
inteligncia, personalidade, criatividade e muitas outras so usadas pelo pblico 
leigo com sentido bastante diverso ( e bastante indefinido) daquele que tm no vocabulrio 
cientfico. Este fato causa dificuldades para o estudante que, precisa aprender a signifi 
cao que tais termos recebem em Psicologia.
Voltando, agora,  lista de possveis expectativas dos que iniciam o estudo da Psicologia: 
ela mostrou uma diversidade grande de concep es sobre esta disciplina.
Afinal, o que estuda a Psicologia? O que se entende por Psicologia? Esta questo no  
fcil de ser respondida. Acredita-se que uma res posta satisfatria possa ser atingida,depois 
de ser examinado, ao menos de forma rpida, o histrico da Psicologia e as principais 
posies psi colgicas atuais.
DESENVOLVIMENTO HISTRICO DA PSICOLOGIA
Uma constatao interessante, feita por muitos historiadores,  que as primeiras cincias a 
se desenvolverem foram justamente as que tratam do que est mais distante do homem, 
como, por exemplo, a Astronomia. As que se referem ao que lhe est mais prximo, ou as 
que a ele se referem diretamente, como a Psicologia, so as que tiveram desenvolvimento 
mais tardio.
Sem buscar as causas de tal fenmeno, verifica-se que, realmente, a Psicologia  uma das 
cincias mais jovens.
Mas, mesmo antes que existisse uma cincia a respeito, o homem procurou explicar a si 
mesmo.
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As primeiras explicaes sobre o ser humano e a sua conduta foram de natureza 
sobrenatural, tal como as explicaes para todos os even tos. Assim como a tempestade era 
um indcio da clera dos deuses, e a boa colheita, do seu favoritismo, o homem primitivo 
acreditava que um comportamento estranho e inslito era causado por um mau es prito 
que habitava o corpo da pessoa.
Tales de Mileto, um filsofo grego do sculo VI aC, tem sido apon tado como quem, 
primeiro, procurou explicar os eventos naturais em funo de outros eventos naturais.
Ele explicou a matria como formada de um nico elemento na tural: a gua.
Outros filsofos, depois dele, explicaram a matria como formada de fogo, de ar, de uma 
partcula indefinida (tomo).
O importante nestas primeiras tentativas de explicao  a noo em que at hoje se apia a 
cincia: os eventos naturais devem receber explicaes tambm naturais.
Scrates (470-395 aC) e Plato (427-347 aC), os dois grandes fi lsofos gregos, com seus 
ensinamentos ,fizeram com que despertasse o interesse pela natureza do homem, o que 
trouxe ao centro do ques tionamento filosfico da poca inmeras questes psicolgicas.
No existe aqui, ainda, a inteno de explicao cientfica, tal como hoje a concebemos, 
mas, sim, a de uma explicao moralista, tica.
Ambos adotam a abordagem racionalista: Scrates demonstra is to muito bem com o 
mtodo do questionamento lgico, e Plato, com a sua explicao racional do mundo, pela 
existncia do mundo das idias que justifica o mundo real.
Aristteles (384-322 aC)  comumente apontado como o filsofo que teria valorizado, pela 
primeira vez, a observao como forma de se chegar a explicar os eventos naturais, apesar 
de que seu mtodo de investigao era, tambm, basicamente racionalista.
A primeira doutrina sistemtica dos fenmenos da vida psquica foi formulada, na antiga 
Grcia, por Aristteles. Nos trs livros De Anima, ele se pronuncia, como introduo, sobre 
a tarefa da psicologia. Aristteles acredita que as idias e, conseqentemente, a alma, 
seriam independentes do tempo, do espao e da matria e, portanto, imortais. 
Circunstncias especiais fizeram com que os escritos de Aristteles fossem perdidos nas 
tormentas produzidas pelas mudanas do mundo ocidental durante mais de mil anos.
Em 1250, com Toms de Aquino (1224-1275), as obras de Aris tteles alcanaram um 
notvel estado de perfeio. A determinao aris totlica das relaes corpo-alma e as 
questes ligadas a elas sobre as diferentes funes psquicas tornaram possvel a este santo 
da Igreja
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medieval uma unio quase total da psicologia aristotlica com as doutri nas da Igreja. A 
fora da psicologia tomista reside uma parte nos fun damentos empricos da psicologia j, 
introduzidos por Aristteles e nela conservados e, por outra parte, na simultnea ligao 
com as cren as religiosas.
Apesar disto, na Idade Mdia, h pouco interesse pelo estudo dos fenmenos naturais em si 
mesmos, talvez pelo fato de a grande predo minncia dos valores religiosos levar  crena 
que um interesse muito grande nos fenmenos naturais era nocivo para a salvao da alma.
Alm disso, o homem  tido como criado  imagem e semelhana de Deus, e seu 
comportamento sujeito, apenas,  sua prpria vontade e  de Deus. Tal concepo no 
favorece o desenvolvimento de uma cincia do homem, j que ele no podia ser objeto de 
investigao ci entfica.
At seu corpo, considerado como uma espcie de sacrrio da al ma, era santo, e no se 
concebia a dissecao de cadveres para o es tudo do organismo.
Ren Descartes (1596-1650), filsofo francs, alm de matemti co e fisilogo, voltou a 
favorecer a pesquisa sobre o ser humano com a sua teoria do dualismo psicofsico. Para ele, 
o homem seria constitu do de duas realidades: uma material, o corpo, comparvel a uma 
mqui na e, portanto, cujos movimentos seriam previsveis a partir do conhe cimento de 
suas peas e relaes entre elas (pensamento mecanicis ta); e de uma outra realidade, 
imaterial, a alma, livre dos determinis mos fsicos.
Todos os organismos vivos apresentariam certa diversidade de pro cessos fisiolgicos 
como, por exemplo, alimentao, digesto, funciona mento nervoso, crescimento, etc.
A mente, por outro lado,  exclusividade do homem e tem ativida des prprias como 
conhecer, recordar, querer e raciocinar.
Algumas atividades, como a sensao, a imaginao e o instinto, seriam produtos da 
interao entre corpo e mente.
Desta concepo sobre o homem decorre que existem duas reas de estudo: a parte 
material, o corpo, a quem se deveria dedicar a cin cia; e a parte imaterial, a alma ou mente, 
domnio da filosofia.
Quem estudasse a alma, portanto, no se poderia valer de observa o e mensurao, j que 
ela  entidade sem extenso e nem localiza o.
Esta concepo favorece a pesquisa, porque, pelo menos,  poss vel estudar corpos mortos 
e animais, j que ambos no possuem alma.
O pensamento de Descartes influenciou profundamente a filosofia
dos dois sculos seguintes, e foi amplamente aceita a sua teoria do dua lismo psicofsico.
Os filsofos dos sculos XVIII e XIX, que tinham a mente e o seu funcionamento como 
objeto de estudo de grande interesse, dividiram- se em duas escolas de pensamento: o 
empirismo ingls e o racionalismo alem3o.
Os primeiros valorizavam principalmente os processos de percep o e de aprendizagem no 
desenvolvimento da mente. Para eles, o co nhecimento tem base sensorial: as associaes 
fundamentam a mem ria e as idias..  grande a importncia do meio ambiente que 
estimula a percepo,que , por sua vez, a base do conhecimento. O crebro desempenha 
papel primordial, j que  para onde se encaminham os estmulos sensoriais e onde se 
processa a percepo.
Encontra-se, aqui, a raiz filosfica das investigaes biolgicas dos fenmenos mentais.
John Locke (1632-1704), ingls,  tido como o fundador do empi rismo. Comparou a mente 
com uma tabula rasa onde seriam impres sas, pela experincia, todas as idias e 
conhecimentos. Nada existiria ali que no tivesse passado pelos sentidos (Nihil est in 
inteliectu quod prius non fuerit in sensibus.)
A associao de idias explicaria muito da vida mental, segundo Locke.
Os filsofos racionalistas, pelo contrrio, acreditavam que a mente tem capacidade inata 
para gerar idias, independentemente dos est mulos do meio. Diminuam, assim, a 
importncia da percepo sensorial.
Alm disso, os racionalistas enfatizaram o papel da pessoa no pro cesso de percepo, 
afirmando que a percepo  ativamente seletiva e no um processo passivo de registro, 
como colocavam os empiristas, e, tambm, afirmando que fazemos interpretaes 
individuais das infor maes dos rgos dos sentidos,que poderiam, por isso, ser bastante 
diferentes entre si.
Preocuparam-se, assim, mais com as atividades da mente como as de perceber, recordar, 
raciocinar e desejar  e enfatizaram o concei to de faculdades mentais, isto , 
capacidades especiais da mente para realizar estas atividades.
Um outro ponto em que discordavam empiristas e racionalistas est na possibilidade ou no 
de anlise, ou decomposio, dos fenme nos mentais.
Para os empiristas,a percepo ou uma idia complexa era composta de partes, ou 
elementos mais simples. Buscavam identificar tais compo nentes simples,para poder 
compreender os fenmenos mentais comple
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xos. Para os racionalistas, cada percepo  uma entidade indivisvel, global, cuja anlise 
destruiria suas caractersticas prprias.
Esta controvrsia  importante porque vai se constituir no, ponto chave do desacordo entre 
as teorias psicolgicas do incio do sculo XX.
Note-se que, at aqui, existem escolas filosficas e no, ainda, psi colgicas, que buscam 
compreender os processos mentais humanos.
Mas a cincia tambm vinha se desenvolvendo, e no incio do s culo XIX j era possvel o 
estudo, em laboratrios, dos processos or gnicos da percepo. Investigava-se, por 
exemplo, o funcionamento dos vrios rgos dos sentidos submetidos aos variados tipos de 
esti mulao.
Utilizavam-se nestes estudos, as respostas verbais dos sujeitos sobre o que sentiam 
quando estimulados, e isto favoreceu o surgimento posterior de laboratrios para estudar a 
mente, mostrando a possi bilidade de a conscincia do indivduo sobre estas estimulaes 
ser um objeto de estudo experimental.
A Fisiologia, que se interessou pela investigao das funes cere brais, foi nisto 
influenciada pelo surgimento da Frenologia, teoria que logo desapareceu por falta de maior 
comprovao. A Frenologia afirma va que o volume relativo do tecido cerebral, em 
diferentes partes da ca bea, mostrado pelas salincias e reentrncias do seu contorno, era 
indicador de capacidades e traos dominantes da personalidade.
A Fisiologia do sculo XIX investigou e teorizou sobre a natureza da atividade nervosa, a 
velocidade de conduo do impulso nervoso, mecanismos da viso e audio, etc.
Este desenvolvimento da Fisiologia contribuiu grandemente para o surgimento da 
Psicologia, principalmente pelos novos conhecimentos que proporcionou e pela 
metodologia de laboratrio que empregou.
Um outro campo cientfico relacionado e cujo desenvolvimento tambm est diretamente 
na raiz da Psicologia moderna  a Psicof sica.
A percepo consciente de um estmulo ambiental foi considerada, no sculo XIX, um 
fenmeno mental e, portanto, inacessvel  investi gao experimental. No entanto, um 
grupo de pesquisadores procurou mostrar que havia relao entre as caractersticas dos 
estmulos e a percepo dos mesmos.
Gustav Theodor Fechner (1801-1887)  considerado o fundador da Psicofsica ou o pai 
da Psicologia Experimental. A Psicofsica pode ser descrita como o estudo quantitativo 
das relaes existentes entre a vida mental (como sensaes, por exemplo) e os estmulos 
do mundo fsico.
Esto entre os primeiros estudos da Psicofsica, por exemplo, es-
tabelecer a menor estimulao perceptvel ou a menor diferena per ceptvel entre dois 
estmulos de mesma natureza.
Fechner e outros psicofsicos mostraram que  possvel aplicar tcnicas experimentais e 
procedimentos matemticos ao estudo dos problemas psicolgicos, quaisquer que sejam as 
concepes filosficas a respeito do problema corpo-mente.
Procurou-se delinear, at aqui, o quadro de antecedentes cientfi cos e filosficos do 
surgimento da Psicologia como cincia.
Costuma-se estabelecer como data para o nascimento da Psicolo gia propriamente dita o 
ano de 1879, quando Wilhelm Wundt (1832- 1920) criou o primeiro laboratrio de 
Psicologia na Universidade de Leipzig, na Alemanha.
Wundt foi bastante influenciado pelo ponto de vista dos filsofos empiristas e pelo 
desenvolvimento da Fisiologia e Psicofsica experi mentais.
Ele escreveu um livro intitulado Princpios de Psicologia Fisiol gica, investigou 
principalmente a percepo sensorial que buscava redu zir aos elementos mais simples 
(sensaes e imagens) e, tambm, encon trar os princpios pelos quais estes elementos 
simples se associavam para produzir as percepes complexas.
Em outras palavras, para Wundt, o objeto da Psicologia era a anli se da experincia 
consciente (ou contedo mental) nos seus compo nentes bsicos e a determinao dos 
princpios pelos quais estes ele mentos simples se relacionam para formar a experincia 
complexa.
Wundt fez nascer uma escola psicolgica que se denominou estru turalismo porque buscava 
a estrutura da mente, isto , compreender os fenmenos mentais pela decomposio dos 
estados de conscincia produzidos pela estimulao ambiental.
O mtodo utilizado, a introspeco (olhar para dentro), exigia sujeitos treinados para que 
pudessem observar e descrever minuciosa mente suas sensaes em funo das 
caractersticas da estimulao a que eram submetidos. O relato deveria excluir o que fosse 
previa- mente conhecido e limitar-se ao que realmente foi experienciado sen sorial mente.
O estruturalismo foi trazido para a Amrica do Norte por E. B. Titchener (1867-1927), o 
mais famoso discpulo de Wundt, onde per maneceu na sua inteno original de cincia 
pura.
Justamente este foi um dos pontos em que o estruturalismo foi mais atacado. O mtodo 
usado no possibilitava o emprego de crianas, indivduos psicologicamente anormais e 
animais como sujeitos, e nem
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possibilitava, o estruturalismo como um todo, o desenvolvimentoda Psicologia Aplicada.
Este e outros problemas fizeram com que o estruturalismo deixas se de existir como escola 
psicolgica, mas sua nfase nos processos sensoriais se reflete ainda hoje em pesquisas 
psicolgicas,
Como reao ao estruturalismo de Wundt e Titchener, nos Estados Unidos, nasceu o 
funcionalismo que pode ser melhor descrito como um movimento do que, propriamente, 
como uma escola psicolgica.
O que une os funcionalistas  sua oposio ao estruturalismo, a respeito do qual criticavam, 
principalmente, a artificialidade da intros peco, a decomposio dos fenmenos mentais 
complexos em ele mentos simples e a estreiteza do mbito de investigao.
Entre os mais ilustres psiclogos funcionalistas esto Willian Ja mes (1842-1910), John 
Dewey (1859-1952) e James Cattel (1860- 1944), todos americanos.
Denominam-se funcionalistas por se interessarem mais no que a mente faz, nas suas 
funes, do que no que a mente , ou em como se estrutura.
Baseados nas concepes de Darwin sobre a evoluo orgnica com a finalidade de 
adaptao ao ambiente, os funcionalistas estabele ceram,como objeto da Psicologia 
interao contnua entre o organis mo e o seu ambiente, que permite a adaptao do homem 
a ele.
As funes mentais, como recordar, etc, tm o propsi to de ajustar o indivduo ao meio. 
possvel promover um ajustamen to melhor sucedido e, por acreditar nisto , que os 
funcionalistas se interessam pela aplicao dos conhecimentos psicolgicos a esta fina 
lidade ampla.
A importncia do funcionalismo est justamente na amplitude de interesses que trouxe para 
a Psicologia.
A partir dele  que se tomam, para estudo, problemas prticos e relevantes como o ensino 
das crianas, a medida das diferenas indivi duais, o efeito das condies ambientais na 
indstria, o comporta mento anormal, etc.
Tanto o funcionalismo, como o estruturalismo, no existem mais hoje, pelo menos com as 
caractersticas com que se apresentaram inicial- mente. Ambos foram sendo substitu (dos 
por correntes cujas idias ainda se encontram presentes entre ns.
O quadro abaixo procura situar no tempo escolas que foram tratadas e tambm as que sero 
examinadas a seguir.
Fig. 1.1  Escala cronolgica aproximada da origem e durao do perodo de maior 
influncia de importantes escolas em Psicologia.
PRINCIPAIS POSIOES ATUAIS EM PSICOLOGIA
Behaviorismo
O criador do behaviorismo  John B. Watson (1878-1959), america no doutorado pela 
Universidade de Chicago.
Descontente com a situao em que se encontrava a Psicologia, e inspirado pelo grande 
desenvolvimento das cincias naturais na poca, Watson props um novo objeto de estudo 
para a Psicologia: o compor tamento (behavior) estritamente observvel. Com isso, 
descartou dos estudos os fenmenos mentais, sensaes, imagens ou idias, funes
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mentais e, tambm, a introspeco como mtodo. Afirmava que a ni ca fonte de dados 
sobre o homem era o seu comportamento, o que as pessoas faziam, o que diziam.
Argumentava que apenas o comportamento era objetivo, e que ape nas ele poderia ser o 
melhor critrio para concluses realmente cien tficas.
Esta concepo valorizou os experimentos com animais, cujo com portamento mais simples 
facilita a investigao e possibilita conclu ses transponveis para os seres humanos.
Sem nenhuma relao com o behaviorismo americano, desenvolvia- se, na Rssia, o 
trabalho do fisilogo Ivan P. Pavlov (1849-1936) sobre o reflexo condicionado.
Esta noo foi recebida com entusiasmo pelo behaviorismo, pois possibilitava explicar o 
comportamento sem referncia a processos in ternos que escapam  observao.
Watson reconheceu no condicionamento uma base para explicar toda a aprendizagem, 
mesmo a mais complexa, j que esta poderia ser reconhecida como encadeamentos, 
combinaes e generalizaes de condicionamentos simples.
Coerente com a nfase dada  aprendizagem, atribuiu-se papel primordial ao ambiente na 
formao da personalidade, em contraste com a quase descrena na influncia da 
hereditariedade. A aprendiza gem  a responsvel principal, inclusive, pelas mudanas 
observveis no comportamento com o aumento da idade. A noo de instinto foi 
abandonada.
A importncia atribuda por Watson  influncia do meio ambiente pode ser avaliada pelas 
suas palavras: Dai-me uma dzia de crianas sadias, bem formadas, e um mundo de 
acordo com minhas especifica es em que cri-las e garanto que, tomando uma ao acaso, 
posso trei n-la para que se torne qualquer tipo de especialista que se escolha  mdico, 
advogado, artista, comerciante-chefe e, sim, at mendigo e ladro - independente de suas 
inclinaes, tendncias, talentos, habili dades, vocaes e da raa de seus ancestrais. 
(Watson, apud KelIer, 1970, p. 71)
As idias de Watson foram consideradas bastante radicais no incio, mas acabaram 
ganhando aceitao ao mesmo tempo em que foram sen do introduzidos abrandamentos 
na posio original.
Hoje, o behaviorismo clssico n existe mais, porm  poss vel afirmar que grande parte, 
se n a maior, da Psicologia americana tem orientao behaviorista, O prprio conceito de 
Psicologia como cincia do comportamento, amplamente aceito, parece indicar isto.
O behaviorismo prope uma Psicologia basicamente experimental,
e os temas da aprendizagem e da motivao devem a ele o seu grande desenvolvimento.
Gestalt
Movimento de origem alem, mas que se desenvolveu nos Estados Unidos, nasceu como 
oposio s outras correntes psicolgicas. Afirma va que o estruturalismo e o behaviorismo 
subestimavam o papel do in divduo, principalmente nos processos da percepo e 
aprendizagem, acreditando-o um registrador passivo dos estmulos do ambiente. Opunha-
se tambm  decomposio feita pelos estruturalistas dos fe nmenos mentais em elementos 
simples e quela feita pelos behavio ristas, do comportamento complexo em pequenas 
unidades de reflexos ou respostas. Estas decomposies, afirmavam eles, destituam de sen 
tido o fenmeno estudado.
A palavra alem gestalt n tem perfeita traduo em portugus, mas significa, 
aproximadamente, o todo, a estrutura, a forma, a orga niza
O lema da Gestalt veio a ser o todo  mais do que a soma das partes.
Os gestaltistas ilustram esta afirmao mostrando que uma melo dia, por exemplo, n pode 
ser decomposta em suas notas musicais componentes sem perder a estrutura que a identifica 
e, inversamente, constituir-se- na mesma melodia se tocada com outras notas (uma es cala 
acima ou abaixo, por exemplo).
Os tpicos da percep5o e da aprendizagem (insight e racioc nio) foram por eles bastante 
investigados atravs de pesquisas rigorosa- mente experimentais.
Os principais representantes da Gestalt ou Psicologia da Forma fo ram Max Wertheimer 
(1880-1943), Wolfgag Kohler (1887-1964) e Kurt Koffka (1886-1941), alm de Kurt 
Lewin (1890-1947) que foi um dos mais famosos gestaltistas, dedicando-se, entre outras 
coisas, ao estudo da interao social em situaes experimentais controladas.
Psicanlise
Criada por Sigmund Freud (1856-1939), a psicanlise , provavel mente, o sistema 
psicolgico mais conhecido pelo pblico em geral, apesar de n ser igual mente bem 
compreendido.
Este sistema, que influenciou e ainda influencia to fortemente no s os rumos da 
Psicologia, mas tambm das artes, da literatura,
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enfim, de toda a cultura ocidental, teve um desenvolvimento inicial bastante independente 
da Psicologia como tal.
Freud desenvolveu a sua teoria numa poca em que a Psicologia se preocupava com a 
experincia consciente, estudada pela introspeco.
Ele era mdico neurologista, trabalhava como psiquiatra clnico e, insatisfeito com os 
procedimentos mdicos tradicionais no tratamento das desordens mentais, passou a 
investigar as origens mentais dos com portamentos.
Divulgou a noo de motivao inconsciente para o comportamen to, enfocou a 
importncia da primeira infncia na formao da personalidade.
Sua nfase sobre a sexualidade como um dos motivos bsicos do comportamento e como 
fonte de conflitos foi uma das razes da gran de polmica que se gerou em torno da teoria.
Esta abordagem explicou o comportamento humano de forma ra dicalmente diversa das 
demais, e sem lev-las em considerao.
Hoje, a psicanlise  considerada uma das correntes psicolgicas, apesar de ter nascido e se 
desenvolvido de maneira completamente in dependente.
A posio neopsicanal tica apresenta algumas diferenas em relao  posio freudiana 
original, mas continua a suscitar controvrsias.
Pela ausncia da experimentao, as colocaes psicanalticas cos tumam ser rejeitadas 
pelo cientista de laboratrio, mas o clnico, par ticularmente, tende a apoi-las.
Humanismo
um movimento mais recente em Psicologia, que enfatiza a neces sidade de estudar o 
homem, e no os animais, e indivduos normais psi cologicamente, ao invs de pessoas 
perturbadas.
Alm disto, critica a utilizao excessiva do mtodo experimental, cujo rigor e preciso tem 
impedido a pesquisa mais significativa com se res humanos.
O homem tem caractersticas prprias,  singular e complexo e, por isso, no pode ser 
investigado com os mesmos procedimentos aplicados ao estudo de ratos ou outros animais 
em laboratrios.
Advoga o estudo de processos mentais tipicamente humanos, co mo:pensar, sentir, etc., 
apesar de no serem diretamente observveis.
Alm disso, o homem tem a capacidade de avaliar, de decidir, de escolher, no sendo um 
ser passivo que apenas reage aos estmulos do meio.  algum que se caracteriza pelas suas 
potencialidades, pela sua tendncia a realiz-las, por estar em contnua modificao.
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So representantes do Flumanismo: Abraham Maslow, Rollo May e Carl Rogers.
Este conjunto amplo e heterogneo de posies tericas encontra das na Psicologia 
contempornea no deve ser tomado como indcio de caos ou confuso, mas, sim, como um 
estgio no processo histrico de investigao do homem a respeito de si mesmo. Esta 
investigao se guiu, naturalmente, diversos caminhos, com objetos de estudos e mto dos 
diferentes, o que resultou em diferentes pontos de vista,que no so sempre, 
necessariamente, contraditrios, mas podem, apenas, estar se referindo a aspectos diferentes 
de uma nica unidade complexa, o ho mem.
Talvez se possa esperar chegar, um dia, a um estgio de desenvol vimento tal que exista 
uma nica teoria psicolgica que consiga englo bar todas as posies e descobertas atuais.
O CONCEITO DE PSICOLOGIA
De acordo com a origem grega da palavra, Psicologia significa o es tudo ou discurso 
(logos) acerca da alma ou esprito (psique).
Atribui-se o cunho da palavra a Philip Melanchthon (1497- 1560), colaborador de Martin 
Lutero. A generalizao do termo, entre tanto, s se deu cem anos mais tarde. Christian von 
Wolf (1679-1754) o popularizou ao estabelecer a diferena entre psicologia emprica e ra 
cional e ao escrever diferentes tratados sobre cada uma delas.
A breve viso histrica da Psicologia mostrou que este significado foi se alterando no 
decorrer do tempo e que, hoje,  uma tarefa dif cil formular um conceito razoavelmente 
amplo para abranger todas as posies em Psicologia.
Apesar disto, a maioria dos psiclogos concordam em chamar a Psi cologia de cincia cio 
comportamento.
Algum poder argumentar que esta  uma definio nitidamente behaviorista e que, 
portanto, no serve para expressar a variedade de concepes atuais.
Ocorre que hoje se atribui um sentido bem mais amplo do que o sentido behaviorista para o 
termo comportamento.
Como colocam muito bem Telford e Sawrey (1973, p. 22), o comportamento inclui muito 
mais do que movimentos flagrantes, como os que fazemos ao andar de um lado para o 
outro. Inclui ativi dades muito sutis, como perceber, pensar, conceber e sentir. A Psico 
logia se ocupa de todas as atividades da pessoa total.
Comportamento, portanto,  aplicado para designar uma ampla escala de atividades. Para 
Henneman (1974, p. 38) pode incluir: ativi 23
dades diretamente observveis como falar, caminhar, etc; reaes fi siolgicas internas 
como batimentos cardacos, alteraes qumicas san guneas, etc.; e processos conscientes 
de sensao, pensamento, senti mento, etc.
Outro autor, Bleger (1979), tambm sugere uma distino entre o que chama de reas da 
conduta. Um tipo de conduta se daria na rea dos fenmenos mentais, tais como raciocinar, 
planificar, imaginar, etc.; outra rea seria a do corpo, onde estariam includos os 
movimentos co mo caminhar, falar, chorar e tambm as modificaes orgnicas inter nas; e, 
finalmente, a rea do mundo externo onde estariam as aes do organismo que produzem 
efeitos sobre o meio social, meio fsico ou sobre si mesmo. Seriam exemplos: esbofetear 
algum, conduzir autom vel, vestir-se.
Naturalmente sempre h manifestao coexistente das trs reas, sito , n  possvel 
nenhum fenmeno numa das reas sem que as de mais estejam implicadas.
Bieger (1979) assinala que a Psicologia n  a cincia apenas das manifestaes observveis 
e nem apenas dos fenmenos mentais, mas abarca o estudo de todas as manifestaes do ser 
humano.
Na verdade, qualquer tentativa de tratamento isolado de fenmenos ativos, sensveis, 
intelectuais ou outros n corresponde  realidade, pois em cada ato, em qualquer reao do 
homem, h inter-relao dos as pectos: o homem  uma unidade indivisvel.
Procurando, provavelmente, incluir todas as manifestaes do ser humano  que Dorin 
(1976, p. 17) denomina a Psicologia Humana de cincia do comportamento e da 
experincia. Por experincia ele en tende o estado consciente ou fenmeno mental 
experimentado pela pessoa como parte de sua vida interior (vivncia).
De todas estas concepes a respeito da Psicologia e seu objeto de estudo, o 
comportamento, surge uma questo importante: estudando fenmenos no observveis 
como os sentimentos, pensamentos, vivn cias e outros, a Psicologia permanecer sendo 
uma cincia?
Chega o momento, ento, de se discutir a palavra cincia.
Entende-se por cincia um conjunto de conhecimentos sistematiza dos, obtidos por uma 
atividade humana que segue mtodos rigorosos. Dentre as principais caractersticas da 
abordagem cientfica est a obje tividade, isto , as concluses dever5o ser baseadas em 
dados passveis de mensurao, que as tornem independentes de inclinaes pessoais ou 
tendenciosidades por parte de quem investiga.
O cientista dever, tambm, descrever minunciosamente os proce dimentos utilizados na 
investigao, de forma a possibilitar a rplica
do estudo por qualquer outra pessoa que deseje corroborar os resulta dos.
A Psicologia, apesar de se propor a estudar, tambm, fenmenos n diretamente observveis, 
atende a todos estes critrios da cincia.
A chave da questo est em distinguir fatos de inferncias.
Apenas o que algum faz, isto , o seu comportamento, pode ser medido objetivamente, 
mas isto n significa que sentimentos, pensa mentos e outros fenmenos deixem de existir 
ou de ser estudados por n serem observveis. Eles s inferidos atravs do comportamento.
A partir da conduta das pessoas  que se inferem motivos como a fome, a necessidade de 
prestgio; estados emocionais como o medo, a frustrao; atribui-se-lhe certas capacidades 
como nveis de inteligncia e certas caractersticas como a introverso.
A Psicologia estuda tudo isso e muito mais, mas, como pretende ser uma cincia, baseia 
suas concluses em dados objetivos, e estes s po dem vir do comportamento.
Assim, como toda a cincia, a Psicologia usa mtodos cientficos ri gorosos e tambm 
como qualquer outra cincia, procura entender, pre dizer e controlar os fenmenos que 
estuda, neste caso, os comporta mentos.
Apesar de ser o comportamento humano o seu principal interesse, a Psicologia tambm 
estuda o comportamento animal, com o objetivo de, atravs dele, melhor compreender o 
comportamento humano ou porque o estudo do comportamento animal se justifica por si 
mesmo.
Dentre os seres vivos,  sem dvida o homem que apresenta o com portamento mais 
variado e complexo. Por isso, e tambm porque  mais difcil estudar um objeto que somos 
ns mesmos, o objetivo de compre ender o comportamento, n  nada fcil de ser alcanado. 
Os psic logos admitem que ainda n conhecem todas as respostas dos proble mas 
relacionados ao comportamento humano. Apesar disto, no dese jam apenas compreender, 
mas tambm predizer os fenmenos. Se j estiverem estabelecidas as condies sob as 
quais um determinado even to ocorre,  possvel antecipar que ele ocorrer se tais 
condies estive rem presentes.
Quando uma cincia atinge este ponto de desenvolvimento em rela  a um tpico qualquer, 
ento tambm pode se tornar possvel o con trole do fenmeno. Controlar pose significar 
eliminar as condies produtoras do fenmeno, se ele  indesejvel; pode significar, pelo 
contrrio, a sua cuidadosa produo; tambm pode incluir a sua utiliza  para fins prticos; 
enfim, de uma maneira geral, controlar signifi ca utilizar a compreenso e a capacidade de 
predio obtidas para fazer algo a respeito do evento.
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Em algumas cincias altamente desenvolvidas, como a fsica, por exemplo, estas trs etapas 
do trabalho cientfico esto plenamente atin gidas, pelo menos em relao a alguns tpicos.
Na Psicologia, entretanto, uma cincia jovem, os cientistas esto ainda, na maioria dos 
temas, procurando obter a compreenso dos even tos comportamentais e a ltima etapa, o 
controle do comportamento, apesar de j ter sido centro de calorosas controvrsias, est, na 
prtica, longe de ser atingida.
Apesar de todas as dificuldades, muitas compreenses foram sendo obtidas pelos estudos 
cientficos que, muitas vezes, s chamados de cincia pura, e o desejo de utilizar as 
descobertas nas situaes da vida cotidiana deu origem  psicologia aplicada.
AMPLITUDE E APLICAO DA PSICOLOGIA
A distino que se costuma fazer entre cincia pura e aplicada
 dizer que a primeira busca o conhecimento desinteressado, sem vistas
 sua aplicao, e que a segunda investiga os temas com o objetivo an tecipado de us-lo 
em alguma rea de atividade humana.
Tal distino , na verdade, apenas acadmica, estabelecida para fins didticos, j que 
ambas esto intimamente relacionadas.
Muitos cientistas que se dizem aplicados fizeram grandes con tribuies para o 
conhecimento bsico e, inversamente, outros, apa rentemente puros, descobriram fatos e 
teorias que foram quase imediatamente aplicados a problemas prticos.
Para fins apenas didticos, portanto, listam-se os principais subcam pos da Psicologia 
comumente descritos como dedicados  investigao cientfica bsica:
a Psicologia Geral, que busca determinar o objeto, os mtodos, os princpios gerais e as 
ramificaes da cincia;
a Psicologia Fisiolgica, que procura investigar o papel que eventos e estruturas 
fisiolgicas desempenham no comportamento;
a Psicologia do Desenvolvimento, que estuda o desenvolvimento ontogentico, isto , as 
mudanas que ocorrem no ciclo vital de um in divduo (os perodos mais estudados deste 
ciclo vital tm sido a infn cia e a adolescncia);
a Psicologia Animal ou Comparada, que tenta estudar o comporta mento animal com o 
objetivo de, comparando-o ao do homem, melhor compreend-lo e, tambm, por buscar a 
compreenso do comportamen to animal em si;
a Psicologia Social, que investiga todas as situaes, e suas variveis, em que a conduta 
humana  influenciada e influencia a de outras pessoas e grupos;
a Psicologia Diferencial, que busca estabelecer as diferenas entre os indivduos em termos 
de idade, classe social, raas, capacidades, se xo, etc., suas causas  efeitos sobre o 
comportamento, alm de procu rar criar e aperfeioar tcnicas de mensurao das variveis 
considera das;
a Psicopatologia, que  o ramo da Psicologia interessado no compor tamento anormal, 
como:as neuroses e psicoses;
a Psicologia da Personalidade, que  a denominao da rea que bus ca a integrao ampla 
e compreensiva dos dados obtidos por todos os setores da investigao psicolgica.
Alguns dos principais ramos da Psicologia aplicada sero descritos brevemente, a seguir, 
para que o estudante tenha uma viso inicial da amplitude e utilidade desta cincia.
a Psicologia educacional lida com aplicaes de tcnicas e princpios da psicologia, quando 
o professor procura dirigir o crescimento do educando para objetivos valiosos.
Os tpicos mais importantes nesta tarefa s os das diferenas indi viduais, aprendizagem e 
memria, crescimento e desenvolvimento da criana, motivao, comportamento grupal e 
outros.
Psicologia aplicada ao trabalho  o nome genrico que se d a um conjunto de subcampos, 
onde, atravs da aplicao de dados da psico logia, os instrumentos de trabalho que o 
homem utiliza podem ser melhor planejados, o trabalhador pode ser mais apropriadamente 
se lecionado e o ambiente de trabalho adequado s caractersticas do ser humano. Com isto 
se objetiva um melhor atendimento s necessidades do homem e um maior rendimento do 
seu trabalho.
Alm disso, os conhecimentos psicolgicos sobre relaes humanas na empresa, no 
comrcio, as descobertas sobre a psicologia do consumi dor, sobre liderana e dinmica de 
grupo e outros tm tambm contri budo grandemente para estas finalidades.
A Psicologia aplicada  medicina pode auxiliar o mdico em suas tarefas de diagnstico, 
tratamento e preveno de doenas.
Hoje, em pesquisa da psicologia aplicada  medicina, so temas preferidos: efeito de drogas 
sobre o comportamento humano e animal; efeitos de privao sensorial prolongada sobre 
sentimentos e respostas de um indivduo (ex.: vtimas de poliomielite que permanecem 
longos perodos em bales de oxignio, vos espaciais longos); produo de
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distrbios psicossomticos em animais; efeitos do stress sobre as fun es fisiolgicas 
humanas, enfim, as perturbaes psicossomticas.
A Psicologia /ur,dica envolve a aplicao dos conhecimentos da Psi cologia no campo do 
Direito. Servem de exemplos as contribuies so bre a confiabilidade do depoimento feito 
por testemunhas, as condi es adversas da segregao racial, classes sociais 
desfavorecidas, efeitos da excitao emocional sobre o desempenho de delinqentes e 
crimino sos, etc.
Assim, em cada setor em que os conhecimentos e tcnicas da Psico logia so aplicados, ela 
recebe uma denominao que indica qual o ra mo da atividade humana no qual so 
utilizados seus conhecimentos.
H muitos outros setores em que isto tambm ocorre como a pro paganda, a arte, a religio, 
etc.
Pode-se concluir afirmando que a Psicologia  uma cincia de um campo de aplicao 
muito amplo, o que justifica plenamente sua impor tncia e a denominao que tem 
recebido de a cincia do nosso scu lo.
PROFISSIONAIS EM PSICOLOGIA
Assim como existem muitos e variados campos de aplicao da Psi cologia, assim tambm 
existem muitos profissionais que trabalham basi camente com a Psicologia.
Sem dvida, o principal deles  o psiclogo, que pode atuar em reas diversas, como sugere 
a lista de subcampos e aplicaes da Psicolo gia.
Mas muitas pessoas confundem psiclogos com psiquiatras. O psic logo  o profissional 
que faz o curso de graduao em Psicologia e pode se especializar em qualquer das 
variadas reas da Psicologia.
J o psiquiatra  o mdico que se especializa em doenas ou distr bios mentais. O 
psiclogo clnico tambm trata destes problemas, tra balha em clnicas e hospitais, mas 
tratamentos que envolvem a prescri o de drogas, terapias de eletrochoques e outras so 
prerrogativas dos psiquiatras.
Psicanalista  o termo que designa o profissional que em cursos es pecializados se torna 
habilitado a usar a psicanlise.
Outros profissionais, ainda, tm na Psicologia um instrumento im portante de trabalho, 
Entre eles esto o orientador educacional, o as sistente social, o pedagogo, o enfermeiro e 
muitos outros.
RELAO DA PSICOLOGIA COM OUTRAS CINCIAS
Costuma-se denominar a Psicologia de cincia biossocial porque ela se relaciona 
principalmente com a Biologia e com as Cincias Soci ais.
Para ilustrar estas relaes, basta lembrar as inmeras pesquisas psi colgicas orientadas 
para os aspectos biolgicos do homem e do anima!, como as realizadas pela Psicologia 
Fisiolgica, Animal e Comparada; e, tambm, aquelas que investigam as atividades sociais 
dos indivduos co mo as da Psicologia Social, Educacional, do Trabalho.
Mas as relaes da Psicologia com outras cincias no se limitam  Biologia e s Cincias 
Sociais.
A Psicologia conota-se hoje pela sua natureza interdisciplinar. As sim como a maior parte 
dos outros campos de estudo, a Psicologia no se preocupa com a extenso em que uma 
investigao permanece den tro dos limites formalmente definidos da disciplina. Quase 
todos os campos da Psicologia se sobrepem a outros campos de estudo, servem- se deles e, 
por seu turno, contribuem para eles (Telford e Sawrey, 1973, p. 25).
Pode-se ilustrar estas afirmativas mostrando que a Psicologia Fisiol gica contribui para o 
desenvolvimento da fisiologia, bioqumica, biof  sica, da biologia geral, etc., mas tambm 
se serve das mesmas para seu desenvolvimento.
A Psicologia Social, em suas regies limtrofes, se confunde com a sociologia, a 
antropologia, a cincia poltica e a economia.
As pesquisas de opinies e atitudes, as previses de comportamento e a dinmica de grupo 
exigem recursos ou conhecimentos de Psicologia, assim como de outras cincias sociais.
Novas reas de interesse mtuo para diversas disciplinas surgem constantemente. Um 
desses campos, de grande interesse atual,  a psico lingstica que estuda as relaes acaso 
existentes entre a estruturao lingstica e a atividade cognitiva e que consegue congregar 
psiclogos, lingstas, socilogos, antroplogos, filsofos num trabalho conjunto para o 
desenvolvimento da mesma.
Das ligaes da neurologia com a psicologia apareceu um novo ra mo da Psicologia que se 
apresenta como uma nova intercincia: a neu ropsicologia, que  o estudo sobre as relaes 
do comportamento com os dados da fisiologia nervosa e da neuropatologia.
Muitos outros exemplos poderiam ser dados, mas o que importa  ressaltar que no h, 
hoje, a preocupao de manter as cincias dentro de um mbito de investigao restrito pela 
definio de seu objeto de estudo.
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Para concluir este captulo, que procurou mostrar em linhas gerais
o que  a Psicologia contempornea, repete-se, com Marx e Hillix (1974, p. 70) que a 
Psicologia de hoje nega-se a ser limitada a um estreito objeto de estudo por definies 
formais ou prescries sistem ticas.
QUESTES
1. Esquematize o desenvolvimento histrico da Psicologia.
2. Caracterize brevemente as principais posies tericas atuais em Psicologia.
3. Explique o significado atribudo hoje ao comportamento como objeto de es. tudo da 
Psicologia.
4. Por que  possvel denominar a Psicologia de cincia?
5. Liste os principais subcampos de pesquisa bsica em Psicologia e explique brevemente o 
que cada um deles investiga.
6. Aponte os mais importantes ramos da Psicologia aplicada, descrevendo-os brevemente.
7. Por que a Psicologia . muitas vezes, denominada de cincia biossocial?
8. Como se distingue o psiclogo do psiquiatra e do psicanalista?
9. Aponte alguns exemplos de assuntos cujo estudo implica a relao da Psicolo gia com 
outras cincias.
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